O tema ecologia, ou ecologicamente correto, tem permeado o mundo do design a um bom tempo. Por conta disso buscamos oferecer projetos de produtos com materiais e processos diferenciados para atender esse desejo da sociedade.
Mas num ponto fomos omissos. A idéia da produção em larga escala e o consumismo são o extremo oposto do "ecologicamente correto", e o que vivenciamos nos últimos dez anos foi exatamente isso....produir, produzir e produzir.....exportar, exportar e exportar.
Escutávamos o tempo todo na mídia empresarial: "você tem que crescer para não ser engolido... ser o maior e conseguir escala mundial... ser o tubarão do recife e não o peixinho.
É bem verdade que este tipo de pensamento não nasceu nas bases do colegiado de Desenho industrial, mas, nos mais graduados cursos de MBA mundo afora. Só que por umas destas infelicidades do destino acabamos por tomar esta premissa como a mais pura verdade, sem analisá-la e sem saber se ela se encaixava a nossa realidade. E agora, aqui estamos, amarrados e sem saber os caminhos que o mundo vai tomar.
O mais intrigante desta situação é que, hoje, uma fábrica de pregador de roupas no interior de São Paulo está intimamente ligada ao estouro da bolha imobiliária americada e a crise mundial... sei lá !!! vai ver que os bancos ao tomar as casas dos inadimplentes, toma os prendedores de roupas também e os revende a um preço muito baixo no mercado .
Não sou contra a globalização....mas sou contra a necesidade de ser global (Por favos, candidatos ao BBB não tomem esta crítica como pessoal,ok?). Aí entra a preocupação com a pirataria (chinesa principalmente), e nesse caso não tem muito o que fazer.
Por isso, começo a crer, que o caminho mais saudável seja a volta aos padrões antigos de produção. Termos produtos que com duração de 10, 15 anos contra os atuais 1.
Isso significa diminuição dos níveis de produção, mas consequente maior valor agregado ao produto.... Eu sei!!!! é utópico....radical....anárquico...que mais?....não!!! isso não....
Mas desta forma poderíamos ter empresas regionais progredindo e bem estabilizadas, sendo apenas "regionais"... o "fantasma da china" só existe por conta do seu baixo custo em Mão de obra.... mas como voltamos a valorizar a qualidade em detrimento do "baratinho", digamos que eles não vão conseguir atrapalhar nossos planos.
E se algum banco norte americano resolver vender prendedores de roupa com preços abaixo do mercado, tenho certeza que a empresa no interior de São Paulo não vai nem se importar... aliás o dono desta empresa jurava de pés juntos que lá no estrangeiro só usavam secadora de roupas.
Renato Boaretto
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
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